Velozes e Furiosos 5: A crítica da crítica
Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio estreou há duas semanas e gerou uma pequena polêmica. Pegue as críticas cinematográficas que encontrar e mais as reportagens sobre o filme. Em todas, verá a mesma crítica: o filme não retrata a realidade do Rio de Janeiro. Mostra uma cidade armada até os dentes, em que basicamente todos os policiais são corruptos (apenas não são corruptos os inexperientes), e com intenso tráfico de drogas. Mas não é justamente essa a imagem que nossos próprios filmes nacionais passam para o mundo?
Aliás, é injusto criticar o filme por não retratar a verdadeira realidade do Rio. Desde quando a franquia Velozes e Furiosos se preocupa em retratar a verdade dos países em que são ambientados? Essa discussão só está acontecendo agora porque o filme se passa aqui e os cariocas ficaram doídos ao verem sua imagem ruim nas telonas. O fato é que Velozes e Furiosos é igual em qualquer lugar do mundo. Seja em Los Angeles, em Miami, em Tóquio, na República Dominicana, no Rio: sempre há um lugar com muitas mulheres oferecidas, carros tunados, e corredores de racha. E o que importa, o que sempre importou na verdade, são os carros velozes e as corridas furiosas.
O filme falhou sim, ao fugir dessa proposta inicial. A narrativa foi estruturada ao redor do plano para roubar o chefão do crime, enquanto os carros ganharam papel secundário, meros veículos de transporte. A principal cena de racha, em que Brian ganha um dos carros que será usado no assalto, é cortada tão toscamente que até surpreende. Em que outro filme da série, uma corrida de tamanha importância para o enredo seria retirada?
Nesse sentido, aquela adrenalina inicial das corridas é substituída pela ansiedade de saber se todos os membros da gangue vão conseguir sair da enrascada ilesos – e ricos. O filme perdeu, portanto, sua essência. E o que parecia ser um desfecho para a série, faz uma reviravolta nos últimos segundos e deixa claro que ainda tem muito mais história por vir.
Assim, a graça desse novo episódio, para os fãs, é ver todos os personagens carismáticos dos filmes anteriores reunidos em um só. E é impressionante ver a reação do público ao filme. É até engraçado ver como os homens saem alterados dessas sessões. Inclusive, defendo que deveria ser proibido ir aos cinemas para assistir Velozes e Furiosos 5 dirigindo seu próprio carro. Ninguém sabe do que eles são capazes depois de tanto estímulo por velocidade. Aposto que se pudessem, todos sairiam acelerando, batendo racha e fazendo drift pelas ruas da cidade. Nesse sentido, como puro entretenimento, o filme - como qualquer superprodução norte-americana, aliás - arrasa.
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