O dia em que me apaixonei de novo
No último dia 5, algo
completamente inesperado aconteceu comigo. Sem querer e sem perceber muito bem
como tudo aconteceu, eu me apaixonei.
Eu me apaixonei por
um pedaço de metal, uma coisa tão simples, mas com um poder mágico. É, estou falando da minha querida pinhole.
Em minha primeiras
aulas de fotografia na faculdade, no começo deste semestre, eu já tinha visto
algumas fotos tiradas com pinhole e gostado bastante. Também tinha sido
surpreendida pelo trabalho do fotógrafo Miroslav Tichy, que produzia suas
próprias câmeras de maneira absurdamente precária e ainda assim conseguia fotos
inusitadas. Também tiradas com câmeras artesanais, as fotos do brasileiro
Dirceu Maués mais uma vez me impressionaram.
Nesse momento
surgiu a enorme vontade de produzir minha própria pinhole e sair por aí tirando
fotos. Mas não é tão simples assim, né? Você não aprende sozinho, de uma hora
pra outra, a fazer uma coisa dessas. Quando eu já tinha quase desistido da
ideia, aquela fase de empolgação inicial já tinha passado, surgiu a
oportunidade de uma oficina no mês passado que me animou, mas imprevistos me
impediram de ir.
Foi então que me
inscrevi para uma oficina de fotojornalismo na ECO* mesmo e quando cheguei lá
fiquei surpresa ao descobrir que no segundo dia nós faríamos pinholes. Apesar
deu estar preocupada com o nível de dificuldade da criação, descobri que a
coisa era bem mais simples do que na minha cabeça. Uma lata de leite em pó,
cartolina preta, papel alumínio, fita isolante, prego, agulha e tesoura. E
claro, uma pequena aulinha de física para entender ou relembrar o princípio da
câmera escura.
Confesso que essa
pequena câmera de lata me deixou meio alucinada com todas as suas
possibilidades de criação da fotografia. Porque ela é muito básica, não tem
fotômetro, controle de foco e muito menos visor. Ou seja, não há como saber
exatamente o que você está fotografando e em qual parte do papel isso está
sendo impressionado. E por isso eu vejo a fotografia pinhole como uma obra de co-autoria, dividida entre o fotógrafo, a própria câmera e o acaso.
Minha primeira
tentativa não ficou muito boa. A foto parece mais um filme de terror. Mas a
segunda foi a responsável pela minha nova empolgação. Ficou tão linda que por
muito tempo eu cheguei a duvidar que tinha sido eu mesma que tinha tirado. Tive que
voltar ao lugar fotografado para tentar entender onde estavam aqueles objetos
da foto, pois alguns deles eu nem notei na hora de deixar a luz entrar.
E depois de todo
esse processo de escolher o local, o tempo de exposição, o apoio pra câmera e o
ângulo, foi muito bom poder ir até o laboratório e ver minha foto aparecer aos
poucos no papel enquanto era tocado pelo líquido revelador. É como voltar no
tempo de verdade. Parece mesmo magia.
Para quem se interessar pelo assunto, encontrei esse manual online muito didático. Vale a pena dar uma olhada.
Enquanto isso, eu fico por aqui experimentando novas possibilidades de fotos com a minha querida pinhole.
*Escola de Comunicação da UFRJ
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