Minha Saga ao Volante


Na última quarta-feira aconteceu o que muitos acreditavam ser difícil. Apesar de tudo o que se passou esse ano, eu finalmente consegui minha habilitação permanente sem ter perdido nenhum pontinho. Acha que foi um feito simples, que é moleza? Ah, então você não sabe de metade! Vou te contar a minha linda história de amor (amor?) com a direção.

Depois de ter passado na prova prática do Detran (de primeira, diga-se de passagem) em dezembro do ano passado, eu saí do carro e olhei em desespero para o meu instrutor: “E agora? Como eu faço pra dirigir o carro da minha mãe?!”. Eu estava acostumada com uma Uno antiga (Mile), colocava a terceira e não fazia mais nada, não reduzia nem em quebra-mola. É, eu saí da auto-escola andando até 40km/h, sem nunca ter colocado a quarta marcha e sem precisar aprender redução de marcha. Mas, pelo menos, eu fazia baliza em pouquíssimos minutos. E o melhor, eu gostava de dirigir, achava divertido.

Porém, chegou o momento em que tive que sair do conto de fadas dirigir-com-instrutor-do-lado e enfrentar o trânsito da vida real. Na Barra da Tijuca (fiz minhas aulas em Maria da Graça; longa história...). Fato é que toda a calma que eu tinha demonstrado nas aulas, sumiu. Eu meio que me cobrava mais para acertar, afinal, eu já tinha carteira, não tinha mais desculpas. Por isso, eu ficava com medo e só dirigia em percursos curtos e conhecidos, sempre com alguém habilitado do lado, geralmente tarde da noite ou aos domingos.

Aí veio minha primeira prova de fogo em 27 de dezembro de 2010. Peguei a Linha Amarela pela primeira vez, indo com a minha mãe e irmã para o Norte Shopping. Fiquei nervosa, fiz algumas besteiras pelo caminho. Só sei que no final, quando finalmente cheguei ao shopping, eu tinha perdido completamente toda a minha energia. Todo o meu corpo doía. Achei que não ia conseguir fazer mais nada naquele dia.

Não foi o que aconteceu. Eu tive que me recuperar e levar o carro de volta para casa, porque escureceu e ficou tarde (por impedimentos físicos, minha mãe não pode dirigir à noite). E porque dificuldade pouca é bobagem, começou a cair o maior temporal! Então a situação era a seguinte: lá estava eu no carro, debaixo de uma chuva tremenda que dificultava minha visão, levando no banco de trás a minha mãe sem enxergar quase nada e a minha irmã mais nova como co-pilota. Tive que engolir minha insegurança, porque dessa vez não dava pra eu ficar perguntando toda hora “Posso ir?”, “O que eu faço agora?”, “Precisa reduzir?”. E pasmem, eu fui muito bem. Não fiz nenhuma besteira e chegamos em casa sãs e salvas.

Depois desse dia, eu fiquei mais confiante e passado um tempo, eu sinceramente achei que conseguiria sair de carro sem levar comigo nenhum motorista habilitado. E eu resolvi tentar um pequeno trajeto, mas no dia errado. Barra Shopping sábado à tarde no meio das férias. Como eu sou idiota, não? Se você já está pensando isso, imagina quando ouvir que eu enchi o carro com três garotas de 15 anos e mais um garoto de 16, esse último com alguma noção de direção.  Pelo menos eu fui sensata o suficiente para ter alguém lá me esperando.

Até o shopping correu tudo bem. Mas foi só entrar no estacionamento... Minha irmã costuma dizer que eu “desliguei o botão de alerta e relaxei” porque já tinha chegado. Só que ainda não tinha acabado. Eu ainda precisava achar uma vaga (missão quase impossível) e estacionar. E tinha trânsito dentro do estacionamento! Logicamente eu fiquei muito, muito nervosa. Até o ponto em que desisti de estacionar sozinha e gritei desesperada para minha irmã ligar pro meu namorado pra ele vir fazer isso por mim. Eu só tinha que dirigir até a saída que ele estava, encostar e sair da direção que ficaria tudo certo. Me diz, você realmente acha que eu consegui fazer essa coisa tão simples?!

NÃO! Não, eu tinha mesmo que fazer a maior merda da minha vida, há apenas duas curvas de distância do motorista experiente. Nem se eu quisesse, conseguiria descrever em detalhes o que aconteceu depois. Agora, depois de tanto tempo, quando penso nisso tudo o que eu vejo é a cena do meu carro batendo com tudo na traseira de um carro estacionado. E o barulho. Um senhor barulho! Se eu achava que ficava nervosa dirigindo, era porque eu nunca tinha batido! Demorou algum tempo para eu me recompor (muito pouco) e conseguir tirar o carro do meio do caminho, tempo o suficiente pro cara do shopping chegar e ver a bagunça que eu tinha arrumado. Lembro ainda de ter ouvido a mulher do carro ao lado falar pra alguém “Eu vi tudo! Foi uma senhora porrada!”.

Quando saí pra ver o estrago, não soube o que fazer, foi desespero total. Pensei no dono do carro que tinha chegado no shopping para curtir uma tarde feliz com a família e iria sair e encontrar seu carro com a traseira toda amassada. Pensei nos meus pais e no dinheiro que eles teriam que gastar pra consertar a besteira que eu tinha feito. Ou seja, um milhão de coisas vieram à minha cabeça. Nenhuma delas boa. Nesse dia, a minha sorte foi ter meu namorado tão perto. Ele resolveu tudo, eu só chorava e tremia, não conseguia nem falar direito.

A partir daí eu desenvolvi um certo pavor de estacionamentos e lugares apertados. Fiquei meses sem pegar no carro, até que fui pressionada. Eu também não queria que aquele incidente me fizesse parar de dirigir, então voltei. Gostaria de dizer que eu aprendi a lição, e a partir daí passei a prestar muito mais atenção e nunca mais fiz besteira nenhuma, mas isso seria mentir. Depois disso eu ainda consegui arranhar um outro carro enquanto estava estacionando, subir no meio fio, quase atropelar a placa da cabine de entrada do Downtown, furar o pneu, quebrar a caixa de marcha do carro (não sei bem se a culpa foi minha), dirigir com freio de mão meio puxado e, recentemente, quase causar um acidente.

Mas apesar de tudo, fico feliz em dizer que já superei essa fase. Mês passado eu dirigi sozinha, sem ninguém comigo no carro (e eu sempre preciso de alguém pra pelo menos dizer “Relaxa, não foi pra você” quando buzinam). Claro que eu tremia muito e quando dei a partida ainda estava chorando, mas eu consegui. Fui de Bento Ribeiro à Barra seguindo o carro do meu namorado. E ontem, me superei mais uma vez. Fui com a minha irmã no Downtown. Só nos duas e ninguém pra ajudar a estacionar. Mas eu me mantive calma (será?), consegui encontrar uma vaga num lugar que quase não passava carro e estacionar. Embora não sem a ajuda dela, que saiu do carro e ficou gritando e fazendo gestos meio loucos do lado de fora. No final, o carro ficou certinho e nós rimos muito.

Então, acho que esse é o final, ou melhor, o começo da minha história de amor. Espero que ela dure bastante porque eu me sinto muito poderosa e independente quando dirijo. 

Comentários

  1. Oi Katryn!
    Seu texto ficou excelente. Também estou nessa fase de adaptação com a direção, e sempre penso que os resultados serão cada vez melhores, pois não há mais como piorar.

    Abraço e felicidades.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Tinder: não ame ou deixe-o

Tempo é amor?

Tutorial: Como fazer uma surpresa pro aniversário da sua irmã