Primeiro Acampamento
Quando fui convidada para acampar em outubro passado, confesso que a minha ideia de acampamento era meio torta. Sempre me lembrava daqueles acampamentos no jardim com barraca da Turma da Mônica onde cabiam 2 crianças e entravam 5. Era um inferno lá dentro, todo mundo espremido, um calor que só! E o pior é que nunca tinha nada pra fazer lá, né.. Ficávamos só brincando com uma lanterna, tentando pensar alguma coisa mais interessante para fazer. Afinal, quem nunca fez isso, hein?
Antes de aceitar, também lembrei de todos os filmes sobre o assunto que eu já vi. Pára e pensa, filme hollywoodiano sobre acampamento tem sempre o que? Pessoas acampando só com saco de dormir em grutas, fazendo fogueiras e, na maioria das vezes, acontece alguma tragédia.
Mesmo com essas ideias loucas na cabeça, acabei aceitando, até porque essa seria a oportunidade para minha primeira cobertura jornalística (esclarecimento importante: viajei à trabalho para cobrir uma das festas do Camping Clube do Brasil, onde estou estagiando). No final das contas, a experiência foi maravilhosa.
Não foi um acampamento selvagem nem nada parecido. Mas também devo admitir que se fosse por mim, talvez tivesse sido. Eu saí para acampar levando apenas um saco de dormir e umas mantas. Imagina duas pessoas terem que dividir um saco de dormir colocado em cima de um colchonete de 2cm de espessura?? Ou seja, era praticamente dormir na lona mesmo. Nessa situação, nem se eu bebesse litros de choppe da festa – que eu não bebi –, eu teria conseguido dormir! Minha sorte é que meu namorado pensou em tudo. Graças a ele, tivemos colchão inflável, roupa de cama, cobertores e até travesseiro. Aí ficou bem confortável.
O meu maior receio, além do frio, claro, era a barraca. Como iríamos nos virar pra montar aquela coisa sem manual de instruções? Sempre achei que fosse muitíssimo complicado, até por lembrar da barraca da Mônica que às vezes deixava minha mãe meio enrolada e, lógico, também por causa dos filmes. Por sorte, como sou funcionária do camping, providenciaram um dos trabalhadores de lá para montar nossa barraca. Nós assistimos e tentamos ajudar como podíamos. E até para leigos como nós, a montagem pareceu bem simples. Não é um bicho de sete cabeças e com certeza nós conseguimos montar sozinhos na próxima (desde que seja o mesmo modelo, né).
Depois de barraca montada e devidamente arrumada, fomos conhecer o camping e nossos vizinhos pelo final de semana. O lugar era lindo e as pessoas, todas muito simpáticas. O camping tinha espaço separado para barracas, trailers e motorhomes, além de piscina, quadra de futebol, parquinho para criança e cantina. Também chequei o banheiro, local de vital importância, e era limpo, espaçoso e tinha chuveiro elétrico.
O camping estava cheio por causa da festa que iria acontecer naquela noite e as pessoas estavam bem animadas. Durante as entrevistas que fizemos (digo fizemos porque ele me ajudou muito mesmo a fazer meu trabalho), pudemos perceber que campismo é um estilo de vida defendido de forma apaixonada. Campismo é viajar em contato com a natureza, sem se preocupar com reservas de hotéis e preços exorbitantes de diárias, e ainda ter a possibilidade de fazer amigos. Descobrimos que dezenas de casais se formaram dentro dos campings e filhos também foram criados ali. Uma das senhoras que conversou conosco confessou que vive mais no camping do que na própria casa.
Ao contrário do que eu pensava e do que todo mundo geralmente pensa, acampar não é passar perrengue. Você pode acampar com barraca, mas também pode alugar um trailer, onde vai ter mais privacidade em seu banheiro particular e sua cozinha. Mas de qualquer maneira, acampar com certeza é uma forma diferente e divertida – e mais barata, sem esquecer – de viajar.
Nós conhecemos o Clube dos 500, em Guartinguetá, São Paulo. Mas o CCB possui, além desse, outros 33 campings espalhados pelo país com infra-estrutura parecida. Só no Rio de Janeiro são 7. As férias estão aí, dê uma chance para o campismo, você não vai se arrepender!
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Se você estiver mesmo disposto acampar, não faça como eu, planeje tudo com antecedência. Aí vão umas dicas do que levar:
- Colchão, roupa de cama, travesseiro e cobertor
- Itens de higiene pessoal e toalhas (lembre-se, não é um hotel!)
- Tudo o que puder de comida para economizar dinheiro (biscoitos, bolos, frutas, sanduíches, etc.)
- Garrafa térmica com água
- Lanterna (MUITO IMPORTANTE!)
- Sacos plásticos para colocar o seu lixo
- Cadeiras de praia para poder se sentar em frente à barraca (você não vai querer ficar lá dentro o dia todo, né?)
- Se levar colchão inflável, não esqueça da bomba de encher
Outra dica importante, se for comprar uma barraca, tenha em mente que o número de pessoas que vem na embalagem conta pessoas em sacos de dormir. Se quiser colocar um colchão inflável, você provavelmente precisará de uma barraca para 3, 4 pessoas. Verifique as medidas.
Links interessantes e dicas para “campistas de primeira viagem”:
Jornal O Campista (Esse é o jornal sobre campismo do qual sou redatora!)
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